Uso de tatuagem e seus desafios no mercado de trabalho

08 de Abril de 2019, 08h40

Uso de tatuagem e seus desafios no mercado de trabalho

Quando o assunto é tatuagem e mercado de trabalho, não é difícil ouvir alguém dizendo “se você ‘rabiscar’ o seu corpo, sua carreira estará arruinada”. Em algumas profissões ou companhias, isso é, de fato, verdade. Muitas empresas conservadoras, por exemplo, não contratam funcionários com tatuagens visíveis. A notícia boa é que esse pensamento já mudou bastante, mas, dependendo da área profissional, o assunto continua sendo um tabu.

Para Neiva Schuvartz, coordenadora da Especialização em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho da Newton, optar por ter ou não uma tatuagem é uma liberdade de expressão garantida na Constituição a todas as pessoas e, portanto, as empresas não podem proibir que seus funcionários a tenham. Além disso, os gestores não podem deixar de contratar por esse motivo.

Na legislação, o artigo 482 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) diz que tatuagem não é motivo para uma demissão por justa causa e a Lei nº 9.029/95 prevê como crime a discriminação de pessoas com tatuagem e piercing no ambiente de trabalho. Apesar disso, situações como essa ainda acontecem.

Schuvartz destaca algumas atitudes que os empregadores podem tomar com relação aos seus colaboradores. “Os gestores podem regular e/ou impor limitações que estejam relacionadas à exigência da própria função do trabalhador, como ações que visem à segurança e à higiene. Nesse caso, pode ser vetado o uso de piercings, brincos e de maquiagens. Tal medida é regulamentada pela ANVISA através da Resolução nº 216/2004”, explica.

Segundo a docente, as pessoas não devem esconder suas tatuagens para conquistar uma vaga, pois estariam escondendo a sua própria personalidade. “A credibilidade não pode ser analisada sob esse aspecto, nem mesmo nas carreiras jurídicas. Mas é importante frisar que muitas pessoas preferem se preservar e fazer os desenhos de forma que não apareçam na sua rotina de trabalho, em razão da sua preocupação com a possível discriminação”, pontua.

Tatuagem a favor do emprego

Um estudo realizado pela Escola de Negócios da Universidade de Miami dá indícios de que o mundo mudou e, hoje, a preocupação de ter ou não tatuagem não faz lá muito sentido. Eles entrevistaram mais de 2 mil pessoas nos EUA nos últimos dois anos e descobriram que, no mercado de contratação, os candidatos tatuados tinham a mesma probabilidade de conseguir emprego (em alguns casos, a chance era até maior).

Apesar da complexidade do assunto, uma coisa é certa: tatuagens, piercings e outros adereços ou preferências não definem o caráter nem a qualidade do trabalho de ninguém. “São coisas que individualizam, separam e distinguem as pessoas, ao mesmo tempo em que proporcionam uma comunicação entre elas. O que o colaborador faz ou usa pode se expressar de várias maneiras, sendo uma delas através da sua apresentação pessoal. Por fim, a análise de um gestor não deve passar pela tatuagem como coisa ruim, mas sim pela percepção de que ela representa convicções e ideologias do funcionário”, finaliza Schuvartz.

 

 

Últimas notícias da categoria De olho na carreira

Serviços Online

fechar