Empresas buscam profissionais especialistas em análise de dados

06 de Maio de 2019, 17h24

Uma coisa é fato nas empresas: nunca houve uma quantidade tão grande de dados e informações que elas precisam destrinchar, conhecer, dominar e ter controle. Dentro desse contexto, tem se tornado cada vez mais imprescindível a existência de profissionais que atuem para interpretar e identificar as potencialidades das informações disponíveis nos negócios.  Entretanto, o que se percebe, é que, apesar da demanda latente por esses especialistas, faltam hoje no mercado talentos com capacidade analítica.

De acordo com pesquisa desenvolvida pela PwC, uma das maiores prestadoras de serviços profissionais do mundo nas áreas de auditoria e consultoria, com 1.378 presidentes de empresas em mais de 90 países, três quartos dos CEOs (74%) concordam que a inteligência artificial (IA) é positiva para a sociedade. Apesar disso, 84% dos entrevistados defende que decisões baseadas em inteligência artificial precisam ser explicáveis para serem confiáveis. E, já que faltam profissionais especialistas em análise de dados, muitos empresários e executivos de diversos setores estão atordoados por não saberem lidar com o aumento exponencial do conteúdo disponível nos bancos de dados das companhias.

Acompanhando o mercado

Ao mesmo tempo em que muitos profissionais se assustam com a possibilidade de perder o emprego para um robô, outros estão correndo atrás de novos conhecimentos para atuar em postos de trabalho estratégicos no universo do Big Data.  E não é à toa que quem adquire capacidade analítica para lidar com muitas informações são candidatos disputados no mercado. Em entrevista para o Estado de Minas, a gerente sênior da PwC Brasil Sílvia Martins enfatiza: “Enquanto a tecnologia nos proporciona agilidade e precisão, é necessário um agente humano para manipular, elaborar e criar cenários em que esses dados terão qualidade e serão utilizados de acordo com a necessidade e circunstância, que se modificam e evoluem diariamente.”

Para a gerente da PwC Brasil, o mercado de tecnologia está enfrentando um déficit de profissionais qualificados. “Já existem estudos que identificam um gap de mais de 45 mil profissionais qualificados para esse setor. E que, se não for suprido, pode trazer prejuízo da ordem de mais de R$100 bilhões, nas receitas, até 2020. O conceito da oferta e da procura faz com que os profissionais melhor qualificados tenham suas remunerações inflacionadas, por serem considerados “elefantes brancos”, e sua contratação é o segundo maior impacto no orçamento dos negócios, aumentando os custos com pessoal acima do esperado”, pontua.

O que faz um analista de dados?

Segundo Martins, o analista ou cientista de dados, tão cobiçado no mercado, obrigatoriamente, precisa ser um profissional proativo para a resolução de problemas. “A combinação das habilidades técnicas e comportamentais são fundamentais para que eles resolvam problemas complexos e assumam uma posição estratégica na empresa. Cabe ao cientista de dados apresentar as informações aos tomadores de decisão, para que eles possam definir o rumo do negócio a partir desses resultados. Seja para criar, melhorar ou descontinuar produtos ou serviços, todas as decisões serão baseadas em dados”, explica.

Martins lamenta o cenário de desequilíbrio entre oferta e demanda dos profissionais de dados no Brasil: “notamos um movimento ainda muito tímido da presença de cientistas de dados, em áreas como o RH, por exemplo. Porém, se formos para regiões, como Vale do Silício, Israel e Índia, esse já tem sido um movimento mais natural, devido ao contexto de desenvolvimento tecnológico e ao uso de data analytics na tomada de decisões do capital humano. As organizações que desejarem manter sua competitividade, precisam olhar e aprofundar o conhecimento sobre o perfil da sua força de trabalho, ampliando sua compreensão sobre as competências necessárias para acompanhar o mercado e atingir seus objetivos estratégicos”.

Tendo em vista que a IA afeta cada vez mais setores da sociedade e impactará em US$ 15,7 trilhões o PIB mundial até 2030, espera-se que cerca de 30% dos empregos sejam automatizados, em especial aqueles envolvendo tarefas manuais. Nesse cenário, mais do que contratar ou desenvolver especialistas e cientistas de dados, é importante cultivar uma força de trabalho pronta para usar esses sistemas e estimular clientes a praticar um bom gerenciamento de seus dados. Pensando nisso, a PwC destaca algumas competências importantes para quem deseja entrar no universo da análise de informações. Confira:

– Fluência tecnológica: saber utilizar diferentes ferramentas e tecnologias para viabilizar estudos em big data

– Matemática e estatística: o conhecimento matemático para mapear padrões e comportamentos

– Capacidade analítica: curiosidade e raciocínio lógico são características que estão contidas dentro desse tema para persistir na busca por inferências

– Comunicação: tão importante quanto obter a informação é saber comunicá-la para os stakeholders relevantes

– Conhecimento do negócio: sem conhecimento fluído da disciplina estudada, é desafiador investigar relações causais e levantar hipóteses que façam sentido.

E aí, quer ser um profissional apto para lidar com as novas tecnologias e gestão de dados? Saiba que o sucesso muitas vezes está intimamente ligado ao aprendizado contínuo de novas competências e habilidades ao longo da carreira. Não perca tempo!

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