Mulheres nas Exatas: sim, elas podem

08 de Fevereiro de 2019, 17h48

Mulheres nas exatas sim elas podem

Poucas pessoas sabem, mas foi uma mulher que desenvolveu o primeiro algoritmo, em 1842. A matemática Ada Byron King conseguiu criar uma sequência lógica de comandos capazes de serem compreendidos por máquinas, algo imprescindível para nossa atual tecnologia. Apesar deste e outros casos de pioneirismo delas na área de exatas, sua presença ainda é tímida, fato ocasionado pela desigualdade de gênero, educação sexista e estereótipos de gênero no ambiente de estudo. É preciso buscar estratégias para impulsionar a sua presença nesses espaços.

Uma pesquisa divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aponta que as adolescentes não buscam as ciências e os estudos técnicos na mesma proporção que os adolescentes. O projeto “ELAS nas Exatas” foi criado para tentar contornar esse panorama. A parceria entre o Fundo ELAS, o Instituto Unibanco e a Fundação Carlos Chagas tem como objetivo a redução do impacto das desigualdades de gênero nas escolhas profissionais no acesso à educação superior das estudantes. No primeiro edital lançado, foram apoiados dez projetos realizados com alunas de Ensino Médio de escolas públicas e voltados para estimular as meninas a se envolverem com as ciências exatas e tecnologias, sensibilizando a gestão escolar.

A superação da baixa presença de alunas nos cursos de exatas é uma tarefa repleta de desafios, mas traz benefícios para as instituições de Ensino Superior que investem neste tipo de ação e para a economia do país. As IES, com mais estudantes, melhorariam a sua rentabilidade e ajudariam no incremento do PIB nacional. O primeiro passo para alcançar tal objetivo é o engajamento das instituições na manutenção das alunas que já fazem parte do grupo discente, não deixando que elas abandonem os seus estudos devido ao sentimento de minoria.

A motivação para que mais mulheres sigam em carreiras da área de exatas também pode vir por meio da representatividade. Ciente da importância da presença de referências profissionais nas IES, a Universidade de Sidney, na Austrália, criou um plano para aumentar em mais de 40%, até 2020, a participação das mulheres na instituição, como no corpo docente, cargos administrativos e de gestão. Em um ano, a presença de mulheres subiu de 28% para 31%.

Na área de computação, segundo dados da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), apenas 15% dos alunos dos cursos de computação era formado por mulheres em todo o Brasil em 2015. A comunidade de programadoras que utilizam a linguagem Python, PyLadies, se constitui como um oásis em meio a um ambiente hostil. Entre as atividades desenvolvidas, as associadas ensinam programação para meninas e mulheres, promovendo a igualdade de oportunidades. O grupo é grande e bem organizado, com presença capilarizada em diversas cidades e regiões do país.

No entanto, existe uma luz no fim do túnel. Dados do INEP de 2011 apontam que o número de mulheres cursando Engenharia cresceu 67,8% nos últimos 20 anos, enquanto o número de homens matriculados cresceu apenas 38,7%. Conforme aponta o estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre 2003 e 2013 a participação das mulheres passou de 24 mil para 57 mil vagas de trabalho ocupadas em Engenharia, equivalente a um aumento de 132%.

Elas abriram o caminho

Além da matemática Ada Byron King, outras mulheres contribuíram na abertura do caminho para as gerações futuras nas ciências exatas. Edwiges Maria Becker Hom´meil se tornou a primeira engenheira do Brasil em 1917. Ela estudou Escola Politécnica do Antigo Distrito Federal – hoje Escola Politécnica da UFRJ. Enedina Alves Marques foi a primeira engenheira afrodescendente do país e a primeira mulher a ter essa graduação no Estado do Paraná.

Outro caso de destaque é o da engenheira Evelyna Bloem Souto, primeira engenheira civil formada pela USP de São Carlos. Ela recebeu uma bolsa na França no final dos anos 1950 e para conseguir visitar um canteiro de obras, precisou até vestir-se de homem, com direito a bigode desenhado no rosto.

 

 

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